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ROBERTO UM ESCULTOR ECOLÓGICO

"A arte só se torna necessária quando a vida é inarticulada, e quando a arte não é expressão e sim espelho da vida, só é necessária quando a vida aparentemente não tem um desígnio; vale dizer, quando a conclusão ou os resultados de determinadas causas ficam tão distantes ou tão ocultos que somente a arte alcança mostrar-lhes a relação, Arte que espelhe arte não satisfaz."(A arte da poesia, Ezra Pound)



A busca da arte é uma constante nas muitas passagens da vida de Roberto Mei, desde criança na fazenda em Nuporanga, SP, nos estudos na capital, na vida de funcionário da Receita Federal. Atualmente reside em Ubatuba, realizando o sonho de sintetizar devaneios, ansiedades e perplexidade na construção intensa de sua arte: a folha caída tatuada pela morte, sementes retendo gritos coloridos, frutos esféricos, negros, brilhando deliciosa gula.

Esta mostra pretende deter o olhar na poética que pulsa ao rés do cotidiano, esse complexo de ascendência e queda que envolve a magia da vida. Forma, cor e textura engendraram-se nos passeios do ciclista pelas praias, jundu e costeiras de Ubatuba, atento ao detalhe pulsando junto à deslumbrante paisagem. No ateliê, Roberto Mei engendra às nuanças das emoções, a complexa técnica do escultor para chegar ao limiar de suas idéias, à tentativa de tocar o milagre da vida e a corrosão da morte. Impiedosa autocrítica de suor e lágrima.
Perguntado, quê o teria conduzido a esta fase?
- "Não sei... Procuro."
Roberto deixa a natureza passar através dele, como o denso suspiro do mar no seu ateliê da Praia Grande.


Flávio Girão Carvalho
Escritor




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