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Ubatuba é minha sobrevida. Aqui consegui olhar com humildade e afeto
para a natureza, nela sentindo possibilidades infinitas; e um forte apelo estético em suas
manifestações mais simples = uma fava... outra... a folha seca... a minúscula folha
verde... o inseto... a haste... o bambu... o cacto... a semente... - irresistível chamamento.
Então quis (e consegui) realizar e mostrar estas coisas. E PARA QUE? Quem
sabe para abrir os olhos de alguns mais, ou manter os meus constantemente abertos e
receptivos para a beleza - este antigo, quase esquecido, mas eterno valor da vida.
Se tenho uma, esta é a mensagem = parem de destruir a natureza! O ser
humano, como está, é semelhante ao vírus que invade o corpo, mata, e morre junto. Por
que estamos demônios? A vida é um milagre! Ser... é o maior dos privilégios! E
quanto há por fazer (construindo) para agradecer! Ser... e agradecer! Eis a questão!
Trabalhando muito. Com ferro, madeira, arame, tela de arame, isopor, massa
epoxi, cores... facão, serrote, martelo, pregos, parafusos, alicate, furadeira, lixadeira,
brocas, lixas, pincéis...
Sobretudo superando, às duras penas, o obstáculo maior: meus vícios (a
"trave no meu olho") - preguiça, medo, pressa, desejo de exaltação própria, temeridade,
covardia, oposição ao trabalho, pretensão, desânimo, censura, perfeccionismo,
ignorância, angustia, ansiedade, pessimismo, compulsão etílica, ressacas monumentais, etc, etc, etc.
Aquele baú cheio de vícios? Um romântico imbecil? Puro? Ingênuo? Um sapo
beberrão que pretende ser touro? Um mamarracho delirante? Um medíocre luxurioso? Um artista plástico?
Vocês saberão. Penso que sou artesão. Tento, trabalhando, exaltar a
natureza e seu criador. Pretendo resultados simples, porque simples é a verdade. E a
beleza! Não quero mais fazer apologia da loucura. O surrealismo foi
marcante em minha vida. Gosto muito dos impressionistas. De Portinari, Frazetta,
Sendim, Krajckerg ... e do abstracionismo de Manabu Mabe. Minhas pernas foram
"acariciadas com vergastas" (Nietzsche). Concordo que "a vida é combate que os fracos
abate" (Gonçalves Dias). Trabalho ouvindo Tchaikowsky, Rachmaninoff, Rismsky-Korsakov,
Puccini, Arthur Fildler, Stanley Black, John Barry, James Horner, John Williams,
Vangelis ... e o som divino das aves, da chuva, do trovão, da folhagem farfalhante ao vento.
Nosso Bom e Belo Criador fez o universo em um dia, Ubatuba em cinco. Descansou no sétimo.
E "neste remanescente do Jardim do Éden, pedalei mais de 20.000 Km de poesia" (avaliação
poética de meu amigo Flávio Girão Carvalho). Amo esta vida, como originalmente criada.
Porque olho para o cachorro, sua beleza, sua força, sua lealdade, antes de olhar para a sua bosta.
Queria ainda muito falar. Então me lembrei de Mabe: "Oriental não fala. Quando vê, e sente, entendeu tudo."
Nasci em Nuporanga-SP., descendente de italianos. Concluí o curso superior
de Contabilidade e Administração. Trabalhei 38 (trinta e oito) anos como comerciário,
bancário e funcionário público. Sou casado, sexagenário, pai e avô.
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